Mina

Conduzindo lanternas,

agasalhos, marmita e ferramentas

Segue igual aos outros,

Mas seu interior difere.

Age como se fosse passar algumas horas ou dias em seu iate.

Enquanto reclamam da sorte, digo, da má sorte,

Ele segue e segue leve.

Seu pensamento alivia também suas tralhas e seu corpo.

Ao chegar à mina,

Todos suados , arrebentados...

Seu sorriso continua teimoso

Instalou-se em definitivo nos lábios.

Irrita os colegas.

Interpretam o semblante.

Julgam-no idiota, um débil mental.

Como sorrir todo o caminho,

e assim todos os dias ?

Cresce mais raiva em seus corações, digo, cérebros.

Num coração não caberia tanta ira.

Descem pelos corredores escuros, visguentos.

Ouvindo uns o rosnar de outros.

E, imediato, vem o estrondo.

Alguns feridos, outros partindo desta.

E no velório conjunto todos admiravam.

  • Olha... seu semblante... parece sorrir!
  • Com certeza nada sofreu!
  • Parece em paz... deve estar com Deus!

15.agosto.2014